domingo, 18 de outubro de 2015

Até Sempre



Até Sempre, Duarte



Nunca me soube despedir de pessoas. Não vou, com certeza, saber despedir-me de ti.
Mas queria que soubesses que sei que só podes estar entre as nuvens, a rir-te, com aquele sorriso grande que achavas que eu também tinha.

Obrigada por todo o teu amor, por todo o teu reconhecimento, por teres ido a correr comprar o CM quando escreveram sobre nós: por torceres por aquilo que está a chegar.

Que pena que não vais estar por aqui quando for maior.


Até Sempre


Quando Vier a Primavera

Quando vier a Primavera, 
Se eu já estiver morto, 
As flores florirão da mesma maneira 
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. 
A realidade não precisa de mim. 

Sinto uma alegria enorme 
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma 

Se soubesse que amanhã morria 
E a Primavera era depois de amanhã, 
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. 
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? 
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; 
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. 
Por isso, se morrer agora, morro contente, 
Porque tudo é real e tudo está certo. 

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. 
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. 
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. 
O que for, quando for, é que será o que é. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

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