Moçambique, 27 de Março de 1906
Deixo-te ir depois de me despedir de ti.
Despedi-me de olhos fechados com um beijo tranquilo na tua face. Agradeço tudo e não lamento nada. Acredito que me deste o que devias ter dado para que aprendesse e seguisse depois de ti: depois de ter aprendido sobre o amor e, de alguma forma, sobre mim também. Tantas vezes preciso dos outros para me descobrir cá dentro.
Mas e nós. Acho sempre que há alguma coisa de muito especial em abrir a mão e deixar ir. Fiz o esforço de chegar até esta praia mas agora é com o vento: o vento sempre traz e sempre leva.
Como naquele dia na praia.
