quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Lábios de vidro
Não sabemos o que será de nós depois disto.
Não sabemos se nos sentaremos na pedra ou no chão,
não sabemos se nos vão cair as pernas quando em pé,
for tempo de andar.
Não sabemos se teremos lábios de carne ou de vidro,
se a boca continuará a ter cantos no desenho do seu fim,
ou dentes que falem línguas .
Não sabemos se nos vamos manter vestidos ou despidos
(queria dizer corpo, queria dizer canto)
Não sabemos se sobreviveremos ao toque,
nem o que fará o nosso corpo um ao outro.
Também não saberemos o que seremos depois disso:
se resto haverá que sobreviva ao holocausto.
Não sabemos se alguém chegará para nos salvar
ou se pela dor, dos nossos olhos, em vez de água caiam ramos.
Não sabemos.
Não fazemos ideia.
Não sabemos qual dos nossos coração bate hoje no peito de um morto.
Mas sabemos da morte; sabemos do seu cheiro.
Também sabemos da putrefacção e temê-mo-la até ao fim da montanha.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
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