segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
Quando os dedos me caem
quando me disseram que ias morrer, o tempo caiu-me aos pés. mas não foi só ele a ceder vida.
com ele a boca, os olhos, o queixo, as sobrancelhas a descolarem autónomas de mim.
trocaria o meu lugar pelo teu.
sabes, faria isso não por não amar a minha própria vida, mas exatamente por amá-la tanto e considerar que seria um desperdício ser-te negado o que eu tenho e tive: um mundo extraordinário e a possibilidade de viver nele todos os dias.
o meu amor por ti nunca deixaria que isso acontecesse.
o avião que me levou até ti, nessa cidade que sempre será nossa, chorava das asas mas ninguém viu.
quando te vi nesse isolamento obrigatório, vi caírem-me com os dedos, os dentes; dentes a saltarem-me da boca em suicídio e os dedos sozinhos, um a um, subitamente congelados e frios, a estalar medo de um dia deixar de poder tocar nos teus cabelos loiros, pequenos raios de sol que nos fazem sorrir de ti.
tocar o teu corpo magro e senti-lo renascer agora a cada dia, deixa-me a impressão de que tudo voltará à normalidade e que é mesmo Natal. o verdadeiro. o do verdadeiro Amor e do verdadeiro renascimento.
o meu amor por ti será sempre eterno como esse sol que trazes contigo: esse sol que também me faz querer escrever quando o vejo.
se me deixares, a minha escrita é sepultada.
as minhas mãos sem dedos. o meu pensamento e a minha dor desterrar-me-iam para um mundo onde há fim.
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Casa Municipal da Cultura COIMBRA - Documentário
Amanhã vai ser exibido e debatido o documentário "Este é o meu Corpo" em Coimbra pelas 18h30.
Conversa com a guionista e autora da ideia original - Inês Leitão
Entrada Livre!!!
Mais info aqui
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
sexta-feira, 16 de novembro de 2018
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
Do Limbo
É aí, nesse lugar onde os homens comem os dedos
que nos fazemos gente.
Aí, onde o canto do inferno começa
onde só os gritos cantam,
choram
e dançam:
aí em baixo onde habita a dor que não tem nome nem fim.
Nesse lugar onde os homens provam as unhas das mãos com fome,
cuspindo restos para o chão,
também se estende a hóstia que salva as almas magras e débeis,
as almas daqueles cuja boca nunca se abriu para pedir salvação:
o último dos redutos.
Porque é a comer a carne que nos fazemos gente:
e não pássaros que sabem do sol.
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