quarta-feira, 11 de setembro de 2019

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

ID Produções Criativas on it’s way!



🎬🎤🎧 NEWS FRESH!🎥🎥🎥🎛📡

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Dia 9 de setembro partimos de Lisboa para filmar as consequências do kenneth e do Idai na vida de milhares de Moçambicanos. Estaremos em várias  províncias em 10 dias: vamos à procura de histórias de sobreviventes e com estes relatos dar a conhecer a importância da nova fase de trabalho que agora surge - a Reconstrução.
Ainda há muito por fazer ali. Desistir não é opção. Há populações inteiras a depender do apoio da Caritas para voltar a ter casa.
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#idproducoescriativas #caritasportugal #caritasmocambique
#minifilme #reconstrucao
#2019


sexta-feira, 12 de julho de 2019

Das flores na boca







Já não somos os mesmos:
se olhares para nós no espelho tu já não estás ao meu lado
e os teus olhos são agora vermelhos.
Perdeste a cor castanho de cometa que fazia os meus brilharem também.



Já não somos os mesmos,
nem somos juntos, nem mesmo perto
e não há nada a fazer se não chorar de joelhos no sepulcro do tempo
- é lá que  vocês dormem, dizem-me os peixes.

 Gostava de poder chorar, mas não consigo explicar isto tudo aos meus olhos.
Se compreendidas as razões e os meus olhos começassem
 iriamos os quatro na corrente:  o choro daria um rio e mal nos aguentaríamos de mãos dadas na água que nos arrastaria
- assistiríamos à nossa morte outra vez.



Já não somos os mesmos,
não temos a mesma língua, o mesmo estomago,
a mesma promessa de eternidade:
já nada nos liga, só o lugar da morte.


Já não somos os mesmos.
Mas isso é só mais um fim
 e, se atentarmos bem, até a morte
tem beleza de flor.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Quando os dedos me caem




quando me disseram que ias morrer, o tempo caiu-me aos pés. mas não foi só ele a ceder vida.
com ele a boca, os olhos, o queixo, as sobrancelhas a descolarem autónomas de mim.

trocaria o meu lugar pelo teu.


sabes, faria isso não por não amar a minha própria vida, mas exatamente  por amá-la tanto e considerar que seria um desperdício ser-te negado o que eu tenho e tive: um mundo extraordinário e a possibilidade de viver nele todos os dias.

o meu amor por ti nunca deixaria que isso acontecesse.

o avião que me levou até ti, nessa cidade que sempre será nossa, chorava das asas mas ninguém viu.

quando te vi nesse isolamento obrigatório, vi caírem-me com os dedos, os dentes; dentes a saltarem-me da boca em suicídio e os dedos sozinhos, um a um, subitamente congelados e frios, a estalar  medo de um dia deixar de poder tocar nos teus cabelos loiros, pequenos raios de sol que nos fazem sorrir de ti.


tocar o teu corpo magro e senti-lo renascer agora a cada dia, deixa-me a impressão de que tudo voltará à normalidade e que é mesmo Natal. o verdadeiro. o do  verdadeiro Amor e do verdadeiro renascimento.

o meu amor por ti  será sempre eterno como esse sol que trazes contigo: esse sol que também me faz querer escrever quando o vejo.

se me deixares, a minha escrita é sepultada.

as minhas mãos sem dedos. o meu pensamento e a minha dor desterrar-me-iam para um mundo onde há fim.

21 de Maio 2026 - "Mulheres do Idai"