domingo, 12 de janeiro de 2014
Se o meu corpo fosse um homem
O livro "Se o meu corpo fosse um homem" pode ser encomendado através do email seomeucorpofosseumhomem@gmail.com .
O envio é feito por correio e o pagamento por transferência bancária.
Mais info em: https://www.facebook.com/pages/Livro-Se-o-meu-corpo-fosse-um-homem-de-In%C3%AAs-Leit%C3%A3o/1404799526434349?fref=ts
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
Da casa e do corpo
Devia ter a coragem para contar-te que hoje sou eu. Não és tu, nem o teu corpo numa Lisboa feita de Inverno como nós naqueles dias: hoje é o meu corpo e o que eu tenho cá
dentro
(passou um ano)
(passou um ano)
Tento ter a força de levar o que é meu, para um caminho novo que surgirá quando abrir os olhos
- sim, os meus olhos vão abrir e nunca mais me vou lembrar
os olhos a abrir dentro de água, o líquido e o que ele protege
O corpo a mudar,
a mexer-se,
a crescer por dentro até ao dia da aniquilação; e um sinal da cruz que sai pela indicação do polegar,
a nascer da testa ao queixo,
a cruzar a cara quente em sinal de perdão.
a mexer-se,
a crescer por dentro até ao dia da aniquilação; e um sinal da cruz que sai pela indicação do polegar,
a nascer da testa ao queixo,
a cruzar a cara quente em sinal de perdão.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
E se debaixo desta dor não houver grito?
Naquele dia nasceram-lhe ramos na cara,
ramos pelas mãos,
de dentro dos braços onde não há força nem norte: do lado esquerdo da cabeça.
Tu não vieste.
O lanugo que nascia da pele. após a primeira ausência, lembrava-me que o desenho da angustia
que se escrevia do avesso, no meu corpo, ainda mal começara.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Catavento, irmão do vento
Se me tivesses morrido tu a mim há pouco tempo
(ou depois do tempo muito)
não haveria dia depois do outro,
não haveria sol,
nem chuva
nem nuvens a passar puxadas a vento
porque deixaria de haver céu e olhos que o vissem
[olhos arrancados pelos dedos doentes]
e deixaria de haver dia
horas,
noite,
tempo,
segundos,
para sobrar uma existência inteira de pregos pregados aos ossos das costas
e lábios colados um ao outro pela secura da pele,
pela ausência de palavra
[deixaria de haver motivo para falar]
Se me tivesses morrido tu a mim há pouco tempo
(ou depois do tempo muito)
os meus pés negar-se-iam ao movimento
[um não seguiria o outro]
e eu arrastar-me-ia pela rua a dizer adeus aos vivos: aos restantes.
(por que é que sempre ficam os que sobram?)
Se me tivesses morrido tu a mim há pouco tempo
(ou depois do tempo muito)
não sobraria membro ou recorte:
apenas cinza, dor e morte.
(Eric Lacombe)
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