quinta-feira, 20 de agosto de 2020
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Das palavras do mundo
Em alemão não existe a palavra grávida. Existe a concepção dessa condição que para os alemães significa "trazer uma criança debaixo do coração" - ein kind unter dem herzen tragen"
sexta-feira, 7 de agosto de 2020
Do Tempo
17 de julho de 1897
A V. escreveu-me a dizer que passou o mesmo que eu. Que percebe.
Não sei se ela se sentou como eu, na cama, com um vazio imenso dentro dela.
Eu nunca quis que chamassem ninguém mas precisei de ouvir a voz da minha irmã para que, de alguma forma, pudesse perceber que eu própria tinha de saber-me viva. De alguma forma, curiosamente, é sempre ela.
Isto não era bem só um vazio, era uma espécie de vazio gelado de um inverno rigoroso que queima tudo à sua volta.
Também não sei se os médicos dela foram tão generosos como aqueles que eu encontrei a olhar por cima de mim, enquanto eu chorava sem saber como não parecer tão vulnerável - tão frágil como nunca quis ser.
Afogo-me em trabalho porque o trabalho redime e salva e, de alguma forma, apesar de tanto amor que recebo, sei que preciso de ser salva, e esse trabalho de casa também é meu.
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
Do eterno
Eu não ouvi nem vi o que ele já me dizia com a boca e com o olhar.
domingo, 26 de julho de 2020
Madrepérola
15 de julho de 1887
meu querido filho,
a tua morte ainda na minha barriga foi o maior desespero que senti até hoje, e de alguma forma, amar-te, a minha maior alegria.
Acredito que uma mãe nasce quando nasce o seu bebé, mas no nosso caso, pelo amor que já te tinha, tudo foi diferente.
Desejei-te incansavelmente.
Escolhi para ti o pai perfeito que acredito ter-te amado de igual forma. O seu coração padeceu tanto como o meu, mas o nosso agradecimento por nos teres escolhido a nós, tornou-se a nossa madrepérola.
Queria que soubesses isso pela escrita.
Porque ela, como tu, é eterna.
quarta-feira, 24 de junho de 2020
"O menino que não via o sol" - livro infantil
Deixo-vos um cheirinho deste livro que vai invadir escolas, colégios e bibliotecas.
A apresentação decorrerá em Lisboa, em breve, com todas as medidas de segurança necessárias.
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Querida Avó, Hoje sonhei contigo. Não foi um sonho, foi uma presença. Estavas na casa onde vivo – não naquela onde pacifica...
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Não sobrou nada aqui, avó. Não há sequer a madeira encarquilhada da tua casa, a oliveira dentro da sala, o meu baloiço-pneu que m...
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Não devia ter falado com o tecto do teu quarto hoje de madrugada. Não devia ter falado com o tecto do teu quarto hoje de madrugada. Não ...






