quarta-feira, 15 de junho de 2016

O teu corpo tem um nome





Hoje roubei-te as costas quando estávamos a dormir e tu não viste. Não as devolverei.
Trago-as comigo para não as dares a mais ninguém porque me pertencem. Não dou o que é meu. Como o teu corpo também me pertence. E também me pertencem os teus olhos e as tuas duas pernas magoadas: também é meu o teu peito quando voa, quando atropela ou quando é atropelado
- acredito que está escrito algures que todo o teu corpo é meu

E as tuas mãos também são minhas: são meus os teus dedos, as tuas unhas, a tua pele seca ao toque.
É meu todo o teu corpo - que desossado - tem o mundo inteiro lá dentro.



Sem comentários:

Enviar um comentário

Querido V.

  Cidade da Beira, 07 de abril de 1906 O nosso amor morreu e não tem mal. Há qualquer coisa na morte que sempre me atraiu, como na linha dos...