segunda-feira, 20 de junho de 2016

Ilíacos





Contavas-me os ossos do corpo como quem conta uma história: eu deitada ao teu lado a ouvir-te pelos olhos com a atenção de um aprendiz mudo
- aqui a clavícula, aqui o esterno, aqui as tuas costelas
 (e os teus dedos a entrarem pela minha pele, explicativos, analíticos, cirúrgicos)


E nas pernas agarravas-me para me explicar
- aqui o teu fémur, a tíbia, este é o

e os teus dedos a marcarem o território do corpo até os nossos  ossos terem de se levantar para sair dali.

Viemos.
Mas aqui a clavícula, o esterno, as costelas, a rotula, o fémur, a tíbia: até os teus olhos me dizerem com a ajuda dos ossos da tua boca
-eu não sei se sobreviveria sem ela,  eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela.


E eu a aprender que nada serias sem ela porque ela é o único osso que sobra depois de ti.





photo: Mueck

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