sexta-feira, 21 de abril de 2017

Documentário a caminho de França




O "Padre das Prisões" está selecionado como um dos filmes em competição no festival europeu de programas religiosos. É o primeiro documentário português a concorrer.

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Dear Inês,

First of all, in the name of the Organizing Committee of the 19th European Television Festival of Religious Programs, I would like to thank you for having entered your film, thereby participating in this event alongside 70 other productions.
As announced in the rules and regulations, an international jury gathered in Paris from April 3rd to April 7th, 2017 to screen all the programs that had been entered. Their mission was to short-list the films that will be presented during the Festival. The qualities of your program caught their attention and I am delighted to inform you that your film, O padre das Prisões, has been selected to be screened during the competition.



terça-feira, 4 de abril de 2017

Hoje falemos de ti




Hoje falemos de ti.



Hoje falemos de ti,
das mãos que te nasceram do osso do ombro que quis ser braço:
para depois ser dedo no fim das mãos.



Hoje falemos de ti porque o inferno deve ser
o lugar onde a saudade mora, e hoje,
-espero que só hoje
há um inferno que espera por mim assim que me deitar.




Hoje falemos de ti
das tuas pestanas na cara,
 do teu nariz
das pernas que te cresceram da anca e te deram um joelho de homem.




Hoje falemos de ti
do que me sobrou de ti nas gavetas,
no meio dos livros, escondido nas estantes:
há partes tuas por lá, e minhas também.




Hoje falemos de ti
porque quando lavar a cara antes de dormir,
quero ter a certeza que viverei o meu inferno
 sem ti atrás das orelhas,
sem ti debaixo do nariz,
sem ti no saco que dá água aos olhos.



Sim, hoje falemos de ti.








sábado, 25 de março de 2017

A Magra que não há em mim - Plataforma CAPAZES




A ler aqui



De quando dizemos Nome


*Para S.


O nome que damos às pedras
não é o mesmo nome que damos aos dedos
- quando dizemos

d
e
d
o


nem o nome que damos ao corpo
- quando dizemos
c
o
r
p
o

nem língua
- quando língua é dita
l
í
n
g
u
a




O nome que te dou a ti não é o mesmo que dou às pedras
aos dedos
ao corpo
ou à língua



talvez porque todos os nomes do mundo
 sejam só isso: nomes.



Há uma hora no mundo em que o nome deixa de ser nome
e passa a ser uma parte de um braço
de um corpo
ou de uma pedra no rio

e tudo ocupa o seu lugar
- como se para tudo houvesse um lugar.



O nome é um lugar e quando é parte,
só ele habita o mar.






sexta-feira, 17 de março de 2017

Festival de télévision Europeen de Programmes Religieux (crowdfunding caseiro)



Caros amigos, 

estou a tentar levar o documentário "O Padre das Prisões" a um concurso internacional. Chama-se "Festival de télévision Europeen de Programmes Religieux" e podem ler aqui.

Portugal, ao que sei, nunca participou.

Preciso por isso de 900 euros (e isto é literalmente um peditório para a legendagem, tradução, inscrição do filme, inscrições pessoais e meios). 

PEÇO A VOSSA AJUDA já que a inscrição neste festival só pode ser feita até 24 de Março!!!! 


O meu nib é: PT50 0035 0824 0069 9632 7001 3.
Se não atingirmos os 900 euros até domingo o estorno é feito por mim aos próprios.
Enviem comprovativo para eu poder controlar os recebimentos para: inesjleitao@gmail.com
OBRIGADA!!!!!!



quinta-feira, 16 de março de 2017

Moderação na 5ª sessão do Curso Pós-Graduado em Direito e Cinema | 22 março




No próximo dia 22 de março (quarta-feira), às 19h30, terá lugar a quinta sessão, na sala 12.32 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (piso 2).



-        A mulher homicida na jurisprudência e no discurso mediático: contrastes (Inês Ferreira Leite)

-        A mulher como instigadora: desconstrução da “femme fatal” (Helena Morão)

-        Discursos sobre o crime e a Justiça: dos/as juízes/as às perspetivas exteriores ao sistema (Andreia Castro Rodrigues)

-        Debate

Moderação: Inês Leitão



Dia 21 de Março - CAPAZES DE CELEBRAR A POESIA



Dia 21 de março vou estar por aqui!
Entrada Livre



quinta-feira, 9 de março de 2017

A parte boa de amar alguém não é só ver-te dormir







A parte boa de amar alguém não é só ver-te dormir e imaginar quem te vai dentro da cabeça, 
no lugar onde os olhos se reviram
e o cérebro mora.


A parte boa de amar alguém não é só esperar por ti no metro com a certeza que vens neste, que é o teu corpo o primeiro a sair para me abraçar
que és tu à minha procura quando as portas se abrirem e todos se movimentarem acotovelados de cansaço
 - todos menos nós,
 por nos termos um ao outro.



A parte boa de amar alguém não é só o cheiro que a tua pele traz com ela e dorme na almofada a olhar para mim; nem é só ver-te as calças a escorregar pelo rabo quando o cinto não está na presilha certa-  e eu me rir de ti - e achar-te meio meu.


A parte boa de amar alguém é cozinhar para ti, é ter ciúmes, é viajar contigo e dizer-te que o tampo da sanita ficou levantado pela centésima vez - sabendo que não ouves.


A parte boa de amar alguém não é só saber o que tu pensas antes de o teres pensado,
nem saber que vais pedir café cheio
 com metade de um pacote de açúcar
 e um copo de água que só fará companhia à chávena triste em cima da mesa
que nos ouvirá rir o resto da tarde.

A parte boa de amar alguém não é só deixar-te adormecer no sofá porque estavas exausto e tentaste aguentar até ao final da série: a parte boa de amar alguém não é só escrever-te poesias e ler-tas como se fossem flores:
 a parte boa de amar alguém é um dia quando não me amares mais.


A parte boa de amar alguém é sobreviver à partida, é contornar o desgosto com a certeza que saberemos ser sempre assim;
que saberemos sempre tocar com eternidade na ponta dos dedos - e que saberemos sempre conduzir eternidade à pele que é tocada.


A parte boa de amar alguém é estar aqui contigo a achar que isto nunca mais vai acabar,
ainda que um dia tu te apaixones e as tuas pernas me deixem sozinha e a terra me engula.


A parte boa de amar alguém é guardar sempre as cartas com as palavras lá dentro.
A parte boa de amar alguém é guardarmos a certeza que existimos.




segunda-feira, 6 de março de 2017

Das boas cartas de Amor





Se o vires, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que me sento na cama, distraída, a dobar demoras
e, sem querer, talvez embarace as linhas entre nós.
Mas que, mesmo perdendo o fio da meada por
causa dos outros laços que não desfaço, sei que o
amor dá sempre o novelo melhor da sua mão. Se

o encontrares, diz-lhe que o tempo dele não passou;
que só me atraso outra vez, e ele sabe que me atraso
sempre, mas não demais; e que os invernos que ele
não gosta de contar, mas assim mesmo conta que nos

separam, escondem a minha nuca na gola do casaco,
mas só para guardar os beijos que me deu. Se o vires,

diz-lhe que o tempo dele não passa, fica sempre.



Maria do Rosário Pedreira

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Cromossoma C






Há muito tempo que este medo não chegava assim: eu antes só tinha medo quando era domingo depois de sábado, e  tu sabias quando era domingo depois de um sábado.
Tu sabias. 

Tu sabias e fazias-nos deitar mais cedo para eu não me sentir assim, para eu não sentir isto e para o domingo ser pequeno e eu não o ver muito: sim, eu não o podia ver muito.

Despias-me.

Deitavas-me na cama.
Encostavas a porta do nosso quarto e fechavas a luz.


Eu deixava-me despir por ti, deixava-me deitar, deixava que encostasses a porta do nosso quarto e que fechasses a luz para não ser domingo: a verdade é que tu sempre soubeste o que fazer por mim quando eu não soube


Eu não queria sentir e tu dizias:
- fecha os olhos um bocadinho

Eu fechava os nossos olhos um bocadinho porque o lugar onde eu acabava para tu começares a existir era uma linha a giz que bastava soprar - e não fazia mal, desde que o giz não desaparecesse, que não desaparecesses.

Eu fazia binóculos a fingir com as mãos e olhava para o tecto a saber que tu virias da sala: nós tínhamos o velho hábito de ser felizes até deixarmos de ser.

As minhas mãos eram binóculos e tu fazias o dia ser noite, fazias o domingo não ser domingo. Mas morreste. E os mortos não me sabem despir, não me sabem deitar, não sabem encostar a porta do nosso quarto nem fechar a luz.

Não, os mortos não sabem nada disso.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Nabu




Talvez tenhamos morrido queimados no inferno de Ninive
e nenhum de nós se tenha apercebido disso.

Talvez, na tua lembrança, Ninive seja por si só o nosso inferno.

Talvez no nosso  inferno as Palavras não entrem porque o inferno é o território do indizível
- e nenhum de nós disse inferno.


Talvez os corações, no inferno de Ninive, ardam abertos como fígados a grelhar numa chapa
de gordura que se incendeia.

Ou talvez o inferno de Ninive não exista.
Talvez  apenas nós vejamos Ninive arder.





quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As singularidades de uma Ministra da Justiça do nosso tempo - TEXTO CAPAZES


Breve nota: o texto que poderão ler abaixo teve a enorme honra de ser respondido por S. Excelência a Srª Ministra da Justiça Francisca Van Dunem.
O conteúdo desse cartão pessoal não será revelado em espaço algum mas foi muito significativo para a autora do texto (Inês Leitão).
Ela nunca o esquecerá.





A ler aqui:


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Inscrições abertas - workshop "The Man Who"




Dirigido a homens entre os 20 e os 60 anos que acreditam que precisam repensar a forma como se posicionam nas suas relações - este workshop é para si!

A partir de algumas personagens masculinas de Woody Allen vamos analisar, compreender e discutir relacionamentos e o segredo do seu sucesso. 

Inscrições disponíveis já em: themanwho.formacao@gmail.com
valor do workshop: 35 euros
Local: Sana Lisboa das 0900 às 17:00

(voucher para namoradas e mulheres que queiram inscrever a sua cara metade)





quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Susan Sontag ao sol



"Amar é doloroso. É como se nos oferecêssemos para ser esfolados, sabendo que a outra pessoa pode ir-se embora a qualquer momento com a nossa pele"

SS