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A mostrar mensagens de 2016

THE MAN WHO - Formação

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No âmbito do projeto  THE MAN WHO pedimos a participação de 100 homens num inquérito sobre relações.
Os inquéritos devem ser solicitados e posteriormente remetidos para o email: themanwho.formacao@gmail.com.





Do Nonsense

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Parece que este ano não houve Inverno,
nem chuva,
nem ventou  ou
f
r
i
o
e já só estamos os dois dentro de fotografias que deixaram de existir.


Não há tristeza nenhuma nisto,
só em nós é que ela existia: a única tristeza fomos nós.


Os ossos das mãos cresceram
as costelas da coluna engrossaram,
eu fiquei mais bonita de dedos,
 de corpo, de cara.

Hoje tenho sempre a face rosada.
A tua morte fez-me bem à vesícula.











Eu sei que ela é um cão - CAPAZES

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Nova crónica nas CAPAZES - ler aqui



Homenagem de mulheres portuguesas a Fatumata Djau Baldé em Lisboa

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(organização: Alice Frade)

Madonna - Woman of the year

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A carta sobre ontem

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Um dia destes escrevo-te uma carta sobre ontem.
A carta sobre ontem será feita sobre a morte de todas as árvores do mundo.

A carta sobre ontem é tão-só

um regresso a casa.

O teu filho morreu-te

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Ler aqui:
CAPAZES

Projectos novos para Janeiro de 2017

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Reserva Pra Dois

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Até que a morte nos separe

....Até que a morte nos separe: aquele dia que nunca chegará, porque nunca um de nós se atraverá a abandonar o outro.

O meu 25 de novembro és tu, N. - CAPAZES

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25 de novembro - Manifestação em Lisboa

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Da Poesia do mundo

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Para a minha irmã

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O meu texto de hoje nas CAPAZES aqui:


"Este é o meu corpo" - DOCUMENTÁRIO - teaser

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Barbara Guimarães e Catarina Furtado

Feliz Natal, my love!

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Para a Eternidade - João Lobo Antunes

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"Não sei o que nos espera, mas sei o que me preocupa: é que a medicina, empolgada pela ciência, seduzida pela tecnologia e atordoada pela burocracia, apague a sua face humana e ignore a individualidade única de cada pessoa que sofre, pois embora se inventem cada vez mais modos de tratar, não se descobriu ainda o modo de aliviar o sofrimento sem empatia ou compaixão."

Mueck

Não há mais nada no meu corpo

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Não há mais nada no meu corpo:
nem dor nos olhos
nem o vazio da chávena de leite que engulo sozinha como pedaço de carne inteira por deglutir,
por matar com os dentes quentes, hirtos,  em pé, ao fundo da minha boca.


Não há mais nada no meu corpo:
apenas talvez o peixe  que comi ao jantar entalado na garganta,
e  que mexe de vivo,
- porque vivoengolido

e a mexer-se corta-me a garganta com a luz das escamas:
na verdade, as suas escamas são o mar.


Não há mais nada no meu corpo:
porque o meu corpo morreu esquecido do tempo da janela,
de como tudo era tão bonito lá fora,
quando lá fora era o lugar de onde as pessoas saiam vestidas.


Não há mais nada no meu corpo:
porque a vida chegou antes.

Só por isso, não há mais nada no meu corpo.
Já não há mais nada aqui.

Do que é da vida

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Podia falar-te da falta que me fazes de dia quando sais,
podia falar-te do cio, das pernas a tremer  antes de chegares:
podia até falar-te das vezes em que me mordo para degolar a raiva que se senta,
plácida,
no sofá do nosso quarto a olhar para mim antes de tu vires.

Podia falar-te do mal e do bem,
da decoração da casa nova,
das tuas costas,
(eu sei tanto da beleza das tuas costas).

Podia falar-te das nossas pernas trancadas na cama de manhã
com a força férrea de um cadeado de portão:
podia falar-te do meu vestido de hoje
da sua roda
ou dos teus olhos que são negros como o céu.


Podia falar de guerras, de espadas e de outros mundos;
mas seria um erro tão estúpido. Porque, sabes, só tu és guerra,
porque só tu és mundo.


 .




Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muita
s, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liber…

Querida filha que não tenho

Querida filha que não tenho,
Texto publicado em Capazes
Se algum dia nasceres, não sei como fui capaz de te ter tido.
Devo ter sido assaltada pela coragem que atinge as mulheres da nossa família quando decidem ser mães: ter-te posto neste mundo será sempre como viver com um revólver apontado à minha própria cabeça.
Vou ter medo do que te possa acontecer sempre que saíres do meu radar de supervisão materna (dizem que isso é ser mãe).  És uma mulher: a tua condição condena-te à nascença, se eu não te fizer forte, destemida e audaciosa. Vais estar duplamente priorizada na minha vida pelo género que te foi atribuído.  Mas vou educar-te para a guerra. A tua geração certamente ainda não verá o que a minha geração sonha: mulheres respeitadas na rua quando passam para ir trabalhar, mulheres com acesso à educação e à saúde, mulheres com salário idêntico ao dos homens quando posicionados nas mesmas tarefas, mulheres que não precisam temer namorados com facas à sua espera.
Sei que enquanto viveres…

Entrevista - Aveiroin

A ouvir aqui


Raias Poéticas - Outubro 2016

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Para A.

Começas o dia a responder a um mail de uma menina de 7 anos que leu o teu primeiro livro infantil "Pitopeca  em África" e prometeu um mail no fim da leitura.

Ela diz que adorou, que não encontrou erros ortográficos ( sim, ela costuma ler livros com erros) mas tem questões muito próprias de uma menina que olha os adultos nos olhos e pede respostas com dedo em riste como quem quer conhecer tudo o que mexe à sua volta ( e eu gosto tanto de meninas destas).

Tu, autora menor, começas o dia explicando coisas que tu própria consideras estranhas e certas e diferentes e que no fundo são o mundo.

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"Minha querida A.,

Fico feliz que tenhas gostado e sobretudo que não tenhas encontrado erros. 😊
Sabes, não podemos ler livros nem ver o mundo à nossa volta sempre com os mesmos olhos.

Às vezes temos de olhar com  olhos diferentes ( temos de arranjar vários tipos de olhos) para ver ou conhecer o que nos é apresentado de forma diferenciada: sejam cores, seja uma n…

Brincávamos a cair nos braços um do outro

brincávamos a cair nos
braços um do outro, como faziam
as actrizes nos filmes com o marlon
brando, e depois suspirávamos e ríamos
sem saber que habituávamos o coração à
dor.
queríamos o amor um pelo outro sem hesitações, como se a desgraça nos servisse bem e, a ver filmes, achávamos que o peito era todo em movimento e não
sabíamos que a vida podia parar um
dia.
eu ainda te disse que me doíam os
braços e que, mesmo sendo o rapaz, o
cansaço chegava e instalava-se no meu
poço de medo.
tu rias e caías uma e outra
vez à espera de acreditares apenas no que
fosse mais imediato, quando os filmes acabavam, quando percebíamos que o mundo era feito de distância e tanto tempo vazio, tu ficavas muito feminina e abandonada e eu sofria mais ainda com isso.
estavas tão diferente de mim como se já tivesses partido e eu fosse apenas um local esquecido sem significado maior no teu caminho.
tu dizias que se morrêssemos juntos
entraríamos juntos no paraíso e querias
culpar-me por ser triste de outro modo…

No dia em que tu nasceste

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Tens o mundo inteiro no teu peito,
entre os teus pêlos há casas com luz,
gente na rua, rios e cidades inteiras que não se mexem: falam baixo,
existem tão-só sepultadas na mansidão.



Tens o mundo inteiro no teu peito
de carne humana que degela quem quer que seja que nele queiras acolher.



E depois tens os teus olhos. Os teus olhos.
- ainda não falei dos teus olhos

Quieto, o teu olhar sem saber,
faz numa varanda verde de Lisboa,
fruta por milagre crescer.





Carta Aberta a Gregório Duvivier

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Caro Gregório Duvivier,
* texto publicado nas Capazes Há coisas que não podemos deixar incólumes. A sua última crónica fez-me ficar três minutos de olhos colados ao iphone enquanto a lia e relia – ao mesmo tempo que apanhava o metro da linha azul em direcção ao Marquês de Pombal (uma maravilhosa estação de metropolitano em Lisboa, onde cem corpos passam por nós a cada dois minutos) e por pouco saí na estação certa. Fiquei a pensar na sua crónica o dia todo, confesso-lhe. http://m.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2016/09/1812342-desculpe-o-transtorno-preciso-falar-da-clarice.shtml?cmpid=facefolha Tinha de lhe escrever porque apostava a minha mão direita em como aquele texto dirigido a Clarice não foi um golpe básico de marketing para o vosso novo filme: aquele texto cheira à honestidade que o Amor traz, de uma ponta à outra, e deixa qualquer coração humano a precisar de ser desfibrilhado em tempo recorde. Ri-me muito consigo. Com a “Porta dos Fundos” e com o “Vai que cola” (fil…

Este é o meu corpo - Documentário

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CAPAZES

Vera Sacramento Capaz
Rita Ferro Rodrigues Capaz



Das coisas da terra

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Sabemos que somos morte, cal e dor, como sabemos que a profundidade do nosso corpo não é a profundidade estática da nossa existência quieta, plácida, involuntária
- eu nunca pedi que um dia tu viesses e te sentasses com o teu corpo para me ouvires falar por dentro,
 lá dentro onde tudo o que é vida acontece 



tão involuntária
- mas tu vieste e disseste: mundo


E eu ouvi-te.
Não era só eu quem falava: quieta,
plácida,
 involuntária - tu lembras-me os búzios que as senhoras da Ericeira vendiam perto da marisqueira onde almoçávamos: elas a jurarem que era só preciso eu encostar a cabeça e ouvir


Quieta, plácida
- eu a encostar o ouvido  para ouvir o mar guardado lá dentro:
eu a acreditar




Involuntária
-  de como somos tão parecidos nas nossas corcundas ou no nosso corpo esbelto e direito que trazemos à laia de lembrança de vida



Quieta, plácida, invo-lun-tá-ria
- há tanto tempo que sou sozinha que acho que não sei mais ser de outra forma



Que sabe antever os passos da morte e da vida: porque um dia…

Do mundo inteiro

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Se nos tirarem as palavras, meu amor,
de que seremos nós feitos
 senão de corpo e cinza e ossos
que morrem na nossa cara debaixo da terra.


Se nos tirarem as palavras, meu amor,
como é que te encontro ao pôr-do-sol?
porque se eu não disser  pôr-do-sol
 tu não saberás onde estou à tua espera.

Se nos tirarem as palavras, meu amor,
como é que te explico o que levo dentro dos olhos,
que vejo em ti a última montanha do mundo e tu não sabes.

Se nos tirarem as palavras, meu amor,
como é que um pé continua a ser um pé,
como é que uma mão, continua a ser mão.



Do Começo

"Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que era uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade. Foi o que ela lhe disse."
Afonso Cruz

Quem tramou António Lobo Antunes - peça de teatro

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Next Stop!


Do que não é

Para J. com todo o meu amor




Tu existias e eu sofria.
Tu respiravas, tu vivias e eu morria.
Tu falavas de mim aos outros e eu sofria.
Tu comias-me e eu sofria. Tu não me comias e eu sofria.
Tu aparecias no meu trabalho com o teu corpo febril  e eu sofria. Tu olhavas-me como quem traz o amor acorrentado aos olhos e eu morria
- mas morria bem, morria como quem engole a felicidade toda de uma vez e se torna um sapo. 
Eu era um sapo e tu rias.

 Tu existias e eu vivia. Tu rias e eu vivia.

 Mas o tempo das  pedras mudou e todos os gatos cegaram na montanha. O caminho foi refeito.
Os cães ficaram sem dentes, as pessoas sem pernas e a demência não mais se escreve a lápis no quadro da escola: deixou de importar.

A poesia voltou ao mundo.

E a tua boca foi cosida para sempre.
A tua língua nova nunca mais se ouviu.

Oxy

Talvez nunca te consiga agradecer o que fizeste por mim.

 A forma como o teu corpo me esperou no aeroporto e como soubeste receber-me a mim e ao que ainda trazia comigo debaixo da pele.
Ensinaste-me o que uma ilha tem de melhor: que um ilhéu também pode ser o mais lindo lugar do mundo.
Sambamos e rimos bêbedos em cima de um morto: ajudaste-me a calcar ainda mais uma pequena sepultura minha com a leveza que a nobreza de carácter nos confere - e que o nojo exclui.

- não, de facto há coisas que nenhum dinheiro compra

E agora amas e és feliz.
Que esse amor dure pela eternidade,  que nunca o cheiro da podridão e do amor a morrer se aproxime de ti
- o cheiro da morte de um amor começa com discrição mas acaba inequivocamente ácido, entranhado na roupa e fétido.

Os bons deviam viver apenas coisas boas, os maus confinados ao martírio e ao frio.


E sim. Sobram-nos sempre as palavras: e  uma boca, doce,  que nos traz felicidade aos lábios.


Naquele tempo

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Não nos basta os olhos,
não nos basta a dor.
Não nos basta a morte a correr no corredor de casa durante um almoço de família: o corredor que vai até aos quartos de dormir e passa pela cozinha
- pouca gente sabe mas a morte é uma menina de 5 anos com o cabelo comprido e sapatos de verniz vermelhos




não nos basta um cão enforcado no 3º andar,
não basta a cabeça com tanta gente lá dentro e o medo que tenho de  um dia não poder escrever mais, sobretudo  depois do que está por vir
- se um dia não conseguir  escrever vou unir os dedos da mão em cima da tábua de cozinha e cortá-los, juntos, num só lance, com o cutelo da minha mãe

Não nos basta o nosso corpo, no espelho
e nós a vermo-nos
 como se o nosso corpo nu abraçado fosse uma acácia morna feita de dois troncos tranquilos que gostam de vento.

Não nos basta as janelas da casa que falam,
não nos bastam os estores. Não nos basta a decisão a firmar de que somos duas àrvores que falam aos olhos dos outros
- se um dia deixar de saber escrev…

Dia 7 de outubro - Famalicão

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PROGRAMAÇÃO

RAIAS POÉTICAS: AFLUENTES IBERO-AFRO-AMERICANOS DE ARTE E PENSAMENTO
                      7 > 8 OUTUBRO 2016
CENTRO ESTUDOS DO SURREALISMO-FUNDAÇÃO CUPERTINO MIRANDA  E CASA DAS ARTES- VILA NOVA DE FAMALICÃO  PORTUGAL

CURADORIA: Luís Serguilha

Organização: Associação RAIAS-POÉTICAS
Apoio: Câmara Municipal de VILA NOVA de FAMALICÃO



                             DIA 7 OUTUBRO

(CENTRO ESTUDOS DO SURREALISMO-FUNDAÇÃO CUPERTINO MIRANDA  )

16h30
Raias Sonoras(POETAS)
C/ Miriam Robles Yáñez; Jorge Velhote; Fernando Castro Branco; Marta Navarro; Catarina Santiago Costa; Isaac Alonso; Inês Leitão

17h30
Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão
Dr. Paulo Cunha

18ho0
Raias SONORAS( POETAS)
C/  Ivo Machado; Claudia Schvartz; Ademir Demarchi; Jaime Rocha; Cláudia R. Sampaio

19h00
DOBRAS-de-PENSAMENTO
EX-CREVER: embaralhar os códigos do pensamento, abalar o mundo sensível: a política do impossível!
C/ Luisa Monteiro( Univ. Nova Lisboa); Jordi Virallonga Eguren( Univ.Ba…

2009

E depois há coisas  que deitamos à água: mandamos fora e vemos a sombra da morte no fundo do oceano, a àgua profunda que tudo leva para sempre.
  Pesos mortos, cadáveres decompostos que trazemos às costas e nos deformam a cervical: tempo em que nao sabíamos que tinhamos um nome e um corpo
( quando não sabia que perdia tempo para  sempre)

- de facto, eu nunca vi o tempo levantar-se e passar

Dia 18 de julho! Somos Capazes?

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Des-terra

A descer as escadas voava em lances de quatro até ao fim do patamar sem medo.
A casa da mãe de onde víamos o castelo dos Mouros.


Hoje está lá em baixo a ambulância sem luzes com gente dentro outra vez, gente pequena a mexer-se com a ginástica das larvas para um espaço tão
- sabes, é que eu nunca
Mas desta vez não és tu na marquesa.
Eu a descer os lances aos quatro porque é a mãe que vai lá dentro: e não tu. É a mãe.
O meu corpo a querer voar e a gravidade a permitir a queda, eu a contornar a queda com os ossos dentro do corpo e com a minha pele toda em cima de mim
- a voar aos quatro e a contar
1
2
3
4
 como quando vinha com os cães à rua com o barulho à nossa volta


E tu a vê-la como eu a estou a ver, agora que cheguei cá abaixo.


A mãe. A mãe deitada na marquesa da ambulância enquanto a reanimavam à minha frente e tu. A mãe.  A mãe deitada e eles com as máquinas a mexerem-lhe no peito. A mãe sempre disse que não queria que lhe tocassem se algum dia isto acontecesse. 
A porta de casa abe…

An awesome place to be in

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Da Poesia

Juro que nadei muito - quase me afoguei - até te encontrar.

Obrigada - "A Mãe"

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Um muito obrigada a todos os que foram ver "A Mãe". A todos os que foram ver a peça, aos que quiseram e não puderam, mas sobretudo à equipa extraordinária que deu vida à Clara e que a propôs ao espectador. À equipa extraordinária - repito -, que chorou durante os ensaios pela violência do enredo, que desesperou, que transpirou e que construiu tudo aquilo.
Eu cá só escrevi um texto.

Ontem chegámos ao fim de um caminho de longos meses.


Obrigada. Obrigada. Obrigada.


Hoje e amanhã! "A Mãe"

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No dia em que tu morreste

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No dia em que tu morreste
o chão abriu-se
e todos os mortos sairam do caixão para procurarem os seus vivos. 

No dia em que tu morreste
 não houve sol
nem chuva,
nem vento porque a terra ficou muda na sua dor. 
No dia em que tu morreste,
nenhum peixe sobreviveu à agua que se tornou veneno nas guelras,
nenhum pássaro sobreviveu  à queda da carne das suas asas
cujas penugens com sangue caiam do céu. 

No dia em que tu morreste
 ninguém cantou, ninguém riu. 
No dia em que tu morreste
 nenhuma mulher foi tocada por nenhum homem na cama,
nenhuma criança foi concebida.



No dia em que tu morreste
era quarta-feira em Lisboa
e o tempo ficou quente no corpo dos homens. 

No dia em que tu morreste
caíram os dedos de todas as crianças  que brincavam no escorrega no parque
e todas elas choraram os seus dedos no chão . 
No dia em que tu morreste
ninguém voltou para casa porque ninguém sabia aonde ficava  a sua casa


(antes de morreres também eras a minha casa e eu costumava saber onde  ficavas) 

Ilíacos

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Contavas-me os ossos do corpo como quem conta uma história: eu deitada ao teu lado a ouvir-te pelos olhos com a atenção de um aprendiz mudo
- aqui a clavícula, aqui o esterno, aqui as tuas costelas
 (e os teus dedos a entrarem pela minha pele, explicativos, analíticos, cirúrgicos)

E nas pernas agarravas-me para me explicar
- aqui o teu fémur, a tíbia, este é o

e os teus dedos a marcarem o território do corpo até os nossos  ossos terem de se levantar para sair dali.
Viemos.
Mas aqui a clavícula, o esterno, as costelas, a rotula, o fémur, a tíbia: até os teus olhos me dizerem com a ajuda dos ossos da tua boca -eu não sei se sobreviveria sem ela,  eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobreviveria sem ela, eu não sei se sobrevi…

"A MÃE" - nas CAPAZES

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"A MÃE" nas CAPAZES  (aqui)


A MAE

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Agradecer uma noite maravilhosa, a artistas que acreditaram desde o inicio e que fizeram tudo ontem acontecer.
A nossa "A Mae" foi um sucesso!!!!

reservas para boutiquedecultura@gmail.com


Obrigada!



O teu corpo tem um nome

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Hoje roubei-te as costas quando estávamos a dormir e tu não viste. Não as devolverei.
Trago-as comigo para não as dares a mais ninguém porque me pertencem. Não dou o que é meu. Como o teu corpo também me pertence. E também me pertencem os teus olhos e as tuas duas pernas magoadas: também é meu o teu peito quando voa, quando atropela ou quando é atropelado
- acredito que está escrito algures que todo o teu corpo é meu

E as tuas mãos também são minhas: são meus os teus dedos, as tuas unhas, a tua pele seca ao toque.
É meu todo o teu corpo - que desossado - tem o mundo inteiro lá dentro.



"A Mãe" - estreia hoje

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Quarta-Feira dia 15 de Junho, que estreia a peça de teatro A MÃE no Espaço Bento Martins da Boutique da Cultura.
Um texto de Inês Leitão com encenação de João Borges de Oliveira.
Em palco com 4 atrizes: Ana Mafalda Costa, Glória Rosa, Marta Mateus eSónia Maria Bispo Correia.
Em cena nos dias: 15,16, 18, 22, 23, 24 e 25 de Junho, sempre às 21h30.
Façam as vossas reservas pelo e-mail: boutiquedacultura@gmail.com

credits: Bruno Saavedra


"A Mãe" - estreia hoje!

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Dia 14 de junho na Feira do Livro de Aveiro pelas 17:00

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Das paredes do quarto

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Isto é como um buraco de parede que se escavou a si próprio: e aqui já não mora ninguém.

As paredes ganharam bolor e as madeiras das janelas ganharam bicho, esverdearam pelo peso líquido da humidade.
As velhas cortinas do quarto dizem vento de vidros partidos
repara,  dizem vento de vidros partidos porque deixaram de dizer Amor.

As camas,
a cama do quarto dorme o sono eterno até que lhe ateiem fogo e a sua madeira de pinho antigo se converta no calor que sacia: no calor que todos os corpos que se juntam, um dia, deveriam ter sabido conhecer.

Os candeeiros de pé de veludo envelheceram: a perfeição do veludo morreu vermelha  de rota.

O pó abafou a vida dos móveis que um dia foram admiráveis; os cristais da casa foram silenciados.

A casa não tinha livros e por isso não havia nem páginas, nem capas mortas pelo chão.

Por nada mais restar, por não haver mais vida lá dentro, a Morte cobriu-se, calçou-se e veio.
Selou a casa batendo a porta com toda a sua força e cuspiu no tapete de entra…

Livro - "O Padre das Prisões"

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«A autora, Inês Leitão, sem perder o fio de homenagem e reconhecimento que por todos nós é devido ao Padre das prisões, leva-nos bem mais longe, trazendo-nos suporte teórico, cultural, religioso, enfim, humano, para podermos acompanhar uma leitura sempre cativante e chegarmos ao conhecimento fundamental para exercermos responsavelmente o direito democrático de opinião sobre um tema acerca do qual, em geral, afirmamos tanto e sabemos tão pouco», assinala o antigo Ministro da Justiça, prof. Laborinho Lúcio.


Da vida de depois

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Talvez os teus dedos novos
Talvez a boca
Talvez o mundo e as pedras e os troncos;
talvez o sangue, o cabelo loiro e a estrada.


Talvez o meu corpo magro
talvez o espelho,
talvez tu a saberes quem eu sou quando as palavras não se dizem
(às vezes as palavras não se dizem porque não há lugar para elas fora da boca)


Talvez um agora e para sempre.
Talvez a janela, o alpendre, a varanda ou a casa toda
(tu a seres a casa toda)
Talvez nunca mais andar na corda em altura  talvez nunca mais sentir medo de cair.
Talvez um conto. Talvez um enorme ponto.




image: Eric Lacombe

Do que sempre fomos

Ainda temos os mesmos pés no fundo da cama quando nos vimos da cabeceira,
ainda temos os mesmo dedos. Ainda temos alma e divindade
e ainda temos os mesmo dentes da boca que dizem
amor.

Ainda temos a mesma gargalhada
os mesmos dedos das mãos imperfeitas:
ainda sabemos viver a achar que somos eternos na nossa caverna.

Ainda temos  luz
e  verbo
e felicidade debaixo da cama.

Ainda somos os mesmos.

Lançamento em Aveiro - "O padre das Prisões - Ensaio sobre a vida do Pe. João Gonçalves" - 14 de junho

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