terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Nabu




Talvez tenhamos morrido queimados no inferno de Ninive
e nenhum de nós se tenha apercebido disso.

Talvez, na tua lembrança, Ninive seja por si só o nosso inferno.

Talvez no nosso  inferno as Palavras não entrem porque o inferno é o território do indizível
- e nenhum de nós disse inferno.


Talvez os corações, no inferno de Ninive, ardam abertos como fígados a grelhar numa chapa
de gordura que se incendeia.

Ou talvez o inferno de Ninive não exista.
Talvez  apenas nós vejamos Ninive arder.





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Querido V.

  Moçambique, 27 de Março de 1906 Deixo-te ir depois de me despedir de ti.  Despedi-me de olhos fechados com um beijo tranquilo na tua face....