terça-feira, 4 de abril de 2017

Hoje falemos de ti




Hoje falemos de ti.



Hoje falemos de ti,
das mãos que te nasceram do osso do ombro que quis ser braço:
para depois ser dedo no fim das mãos.



Hoje falemos de ti porque o inferno deve ser
o lugar onde a saudade mora, e hoje,
-espero que só hoje
há um inferno que espera por mim assim que me deitar.




Hoje falemos de ti
das tuas pestanas na cara,
 do teu nariz
das pernas que te cresceram da anca e te deram um joelho de homem.




Hoje falemos de ti
do que me sobrou de ti nas gavetas,
no meio dos livros, escondido nas estantes:
há partes tuas por lá, e minhas também.




Hoje falemos de ti
porque quando lavar a cara antes de dormir,
quero ter a certeza que viverei o meu inferno
 sem ti atrás das orelhas,
sem ti debaixo do nariz,
sem ti no saco que dá água aos olhos.



Sim, hoje falemos de ti.








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