segunda-feira, 20 de maio de 2013

Boca bilingue








a minha solidão come-me.

a minha solidão come-me e mastiga-me e
vira-me ao contrário com a língua
para me ter melhor.

a minha solidão gosta de me ter bem
( não é apenas ter-me, é ter-me bem)
e gosta de dizer-me sua por laços de afinidade patológica.

a minha solidão não me abandona porque a minha solidão é corpo,
é mãos,
é dedos dos pés: a minha solidão é braços e pernas atados
ou sou eu sozinha
dentro do meu corpo,
a olhar para mim de olhos vermelhos
como quem  sabe o que sente.





(*Para Pedro, que se tornou o meu grande amor.)

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