sexta-feira, 2 de junho de 2017

Para o meu querido Tiago




(Para o Tiago, com todo meu coração)



Sabes T., queria ter-te dito o que vem a seguir, depois do choque de perdermos alguém.

 É um vazio absoluto. Ainda dou por mim no trabalho a emocionar-me do nada; ou antes, a emocionar-me deste vazio todo porque ainda não sei bem o que fazer com ele, nem este vazio todo sabe bem o que fazer comigo.

Ainda que não visse o M. todos os dias, ainda que não olhasse para ele todas as semanas, ele existia. E só por existir, o meu querido M. fazia o mundo ser melhor, mais respirável, mais puro.
Porque ele era genuinamente bom e genuinamente verdadeiro: há poucas pessoas assim hoje em dia.

E com aquela gargalhada boa que parte qualquer um de nós.

Continuo a falar no presente do indicativo, viste? Tu também vais fazer isso durante algum tempo até à altura em que te agarras à tua espiritualidade e à maravilhosa metáfora do Céu.

Eu acredito no Céu.


Um Céu mesmo, sabes? Tipo azul, com casas que são nuvens, anjos que se passeiam pelas ruas do Céu e te cumprimentam amorosamente - e anjas também - e se calhar as anjas apaixonam-se pelos anjos, enfim, essas coisas também devem acontecer lá pelo Céu.

 Acredito mesmo nisso. Que lá em cima deve ser mesmo bom e deve haver chocolate que não engorda a toda a hora …e lá há muita paz, sabes? Mas também há cafés e bares, certamente. E eles espreitam cá para baixo. Acho  mesmo que eles olham por nós e evitam-nos alhadas.

De qualquer forma, hoje deixo-te chorar e vestir preto.
Hoje podes chorar tudo o que tens direito, e depois amanhã também podes.
Depois podes bater com a cabecinha nas paredes a questionar tudo até ao momento em que sais do trabalho e vais ter com os teus amigos para celebrar: a vida, T, celebrá-la a Ela e a ele, e ao enorme privilégio de termos tido estas pessoas connosco um dia (somos uns sortudos do caraças, já pensaste bem???!!).

Quando pedires um gin ou uma cerveja – nesse dia depois do trabalho - faz um brinde com os teus amigos e olha para o céu erguendo o teu copo.

Tenho a certeza que o teu amigo anda por lá. Quem sabe já se esbarrou com o meu.
Promessa de Gretl!







Sem comentários:

Enviar um comentário

Da vida do corpo

Gostava de te puder contar coisas; que o sol já não se chama sol, nem a lua, lua nem os montes são mais habitados por flores nem por h...