sábado, 17 de março de 2012

Sem título 1

Já há tanto tempo que não mordia as minhas mãos para expiar a minha culpa. Morder a mão até a marca dos dedos poder ser moldada a gesso ou testada por nova colocação da mandíbula
- de forma doce e terna
e ali confirmar tamanho e forma sem a pressão da força bruta.

Já há tanto tempo que não mordia as minhas mãos, a carne gorda da curva do polegar ou o seu osso,
para aquele que é o momento da libertação da minha angústia e do meu medo: as minhas marcas.

Já há tanto tempo que não sentia o alívio que nasce dos meus dentes, a liberdade depois da aflição,
a cura do erro e da culpa.
Já há tanto tempo que não mordia as minhas mãos para expiar a minha culpa.



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Texto CAPAZES - A Carrilho o que é de Carrilho

A ler aqui