quinta-feira, 4 de abril de 2013

Do medo do corpo (I)





Não sei como te contar que as minhas mãos tremem. A direita mais do que a esquerda.  A mão direita a abanar como se estivesse a tremer o mundo, como se quisesse existir sem a coordenação de um pulso que a liga a um braço,
a um cotovelo,
a um ombro:
a mim que moro na cabeça do meu corpo.

As minhas mãos a tremer e eu na minha cabeça sem conseguir agarrar um copo de água:  consequência directa  de pequenos terramotos que  se executam dentro do corpo, todos eles com o epicentro num coração que pulsa sem abrigo e sem embargo.

Porque ontem nada me doía e tudo era abalo.

(Pic: Eric Lacombe)

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