segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Não nos morras, Luaty



Esperamos a qualquer altura que a morte de Luaty seja uma realidade. A verdade é que um herói morto não fará nada por Angola. Não resisto a publicar aqui um texto da autoria da jornalista Carla Adão sobre a vida deste herói, tão à margem de todos os outros heróis.




CARTA ABERTA PARA LUATY
Nunca nos conhecemos, mas talvez saibas quem sou!
Sou uma angolana que pelas circunstâncias da História nunca viveu na sua terra.
Triste com a realidade do meu país vivia, no entanto, na apatia da distância. A tua determinação despertou-me a raiva contra situações com que não concordo.
Admiro a tua dignidade, coragem e determinação. Receio, no entanto, que as consequências da tua greve de fome se esmoreçam rapidamente se morreres.
Muitos te chamam de herói, mas de que nos serve um herói morto? Desses já os temos! A melhor forma de mudar o nosso país é continuares vivo, a inspirar outros jovens a terem a tua determinação. Já inspiraste um movimento de luta pela libertação do grupo, vamos continuar esse movimento, não vamos deixar morrer essa chama... Mas precisamos de ti vivo, para que este seja um rastilho de uma reação em cadeia para libertar, não só, os 15+1 mas todo um país e todo um povo que vive refém de um regime e dos seus bajuladores.
A tua filha precisa de ti, a tua família precisa de ti, mas todo um povo precisa de quem o inspire para a mudança. Acredito que podes ser tu. Vivo!
Não facilitar a vida aos que querem livrar-se de ti, por seres um homem capaz de morrer pelas tuas convicções.
Fico à espera de um dia poder apertar-te a mão e agradecer- te por me teres ajudado a sentir de novo angolana, ainda que indignada!


CARLA ADÃO
Jornalista


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