sexta-feira, 29 de junho de 2018

Meu querido M.



Querido M.,

Estamos a dois dias do meu aniversário. Estou feliz.

Ganhei coragem hoje, sabes?
Pela primeira vez fui à tua casa encontrar-me com a tua mulher e com a tua filha.

Não há restos de ti por lá:  não vi fotografias tuas e levava um escudo protetor no cérebro que me impediu de falar de ti.
Nenhuma de nós falou de ti mas tu eras a corda imaginária, uma espécie de cordão umbilical que nos ligava às três no teu sofá.

Não vi nada teu,  mas a impressão com que fiquei foi que tu estás colado às paredes da tua casa, e ao corpo da tua mulher e da tua filha.

Gigante como és, imagino que nunca as vás deixar.
Tu não eras daqui. Nunca foste.

No domingo, bebe um gin por mim, ai no Céu, sim?
Elas vêm dar-me o teu abraço à festa.




P.S.: Tenho muitas saudades tuas

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