segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Cartas a M.



17 janeiro de 1930


Querida M.,


“Is it really possible to tell someone else what one feels?” 
 Leo TolstoyAnna Karenina



Não há mais luto nem mais travo a amargura, apenas uma certeza incessante de libertação e amor.
Amor aos outros e amor às minhas mãos e à minha cabeça.
Amo-me e toco-me com a delicadeza de quem tem dedos de tempo.
 Aparecem cada dia mais personagens aqui no quarto: deixo-as entrar, cuido delas, falamos à janela. O meu quarto é silêncio como sempre desejei que fosse - às vezes música.
Do outro lado da janela um prédio devoluto ao qual me mostro nua todas as noites, numa espécie de cumprimento ritualistico do corpo.

Assim  vão os meus dias. Assim vai a dor do mundo.



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