sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Carta 33





Já chega de escrever na boca.
Já chega de geografias e de medo.
Já chega de tempo e de mortos na estrada com corpos por apanhar.
Já chega de ti.

Já chega do norte e do sul na cabeça,
já chega do este e do oeste e do poente,
ou de ter-te engasgado debaixo da pele.
(já chega de não saber tirar-te daqui).

Já chega de saber que vives.



Já chega de rir ou de contar-te as cicatrizes,
já chega do soslaio, de barba e de ar por respirar
(já chega de sentir que não entra, que não sai)
Já chega da mão, do braço e do joelho,
 já chega de partes por tocar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Querida V.

  Não sei nada de ti e são 4h00 da manhã.  Não sei como as mães sobrevivem sem saberem dos seus filhos e não sei em que escola isso se apren...